Chicamatafumba

PROJETO: Inundação

Intervenção sonora em transporte urbano público que provoca outra experiência do tempo e do espaço nos usuários em seus deslocamentos.

ESTRATÉGIA DE AÇÃO:
Etapa 1: coleta e edição de sons do Rio Guaíba;
Etapa 2: seleção das linhas de ônibus que serão utilizadas;
Etapa 3: realização.

Cada integrante entrará em um mesmo ônibus portando um aparelho reprodutor de cd. Estes serão acionados simultaneamente provocando a sensação de inundação pela emissão de sons do rio. Os integrantes poderão entrar em diferentes momentos do trajeto, mas sempre no mesmo meio de transporte (ônibus, metrô, etc). Depois de um certo tempo de percurso os participantes descem do ônibus. Esta ação se dá sem a conversa entre os artistas, acreditamos que assim ela se torna mais contundente e enigmática auxiliando na captura da atenção dos usuários. Passamos a repetir a ação conforme planejamento prévio sobre as linhas de transporte que serão utilizadas.

LOCAIS: Ônibus urbanos e Trensurb

Chicamatafumba [Porto Alegre – RS]

Coletivo formado por Ana Paula Tomimori, Claudia Paim, Leandro Machado e Thaís Leite. Convidado: Ulises Ferretti

Grupo de intervenções interurbanas que realiza ações poéticas. Objetivo: capturar e mobilizar a atenção para interromper no outro o fluxo cotidiano. O Chicamatafumba vem realizando intervenções no Trensurb, desde 2009. Já atuou também com convidados.

LINK:

chicamatafumba4.blogspot.com

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SOBRE A EXPERIÊNCIA_SEU:

“Água de beber, água de beber camará.”  Tom Jobim

Não se importando que a sexta-feira tivesse ficado para trás, seguiu a chuva a cair sobre a cidade ao longo de quase todo o dia de sábado. Foi com a lâmina d’água sobre o asfalto que os rastros dos pneus tornaram-se visíveis. Cascatinha, Lomba do Pinheiro, Campus Ipiranga, Trensurb. Centro, Periferia, Centro, Grande Porto Alegre, Centro. O coletivo do transporte públicoletivo em seu movimento pendular.

Da pergunta original [que se fez do pecado original], sobre o que aconteceria quando o som das águas de uma praia migrasse [descontextualizado] para se fazer existir em um espaço outro – por exemplo, o do interior de um ônibus, também aquele dentro de um vagão de trem – povoado de pessoas e de seus próprios sons, não se tem notícias. Talvez a oferta da possibilidade de que as águas e as pessoas se misturassem ou enquanto em paralelo dialogassem – caudalosas, suculentas, cheias de barulho e silêncio.

Foi no encontro – percebendo e reconhecendo o ambiente que se modificava – que se fez a necessidade momentânea da busca pela prova, o elemento vestido de materialidade. À medida que as fontes sonoras – quatro tocadores de CDS portáteis [ocultos em sacolas] e um telefone celular, – iam sendo acionadas, uma após a outra, somando-se, fortalecendo-se, ampliou-se o registro da ação das águas da prainha de Belém Novo. Tornando-se viva a ideia imaginada de que a chuva estivesse a invadir o ônibus, por algum furo, fresta ou janela aberta. E teria ela tamanha fluidez, qual jorro de torneira esquecida, rompimento de tubulação.

Os passageiros que foram pegos, inundados, reagiram cada qual há seu tempo e maneira. Os olhares se puseram cobertos de desconfiança; fizeram-se giros de cabeça e tronco; pés abandonaram o piso – elevados para o alto como quem suspende os móveis da casa na tentativa de salvá-los do pior; vômito(?); costurados à riqueza das observações [“É um trem fantasma!”, “Trata-se de uma pesquisa de comportamento.”, “O som da água me faz relaxar.”].

Em determinado momento todos os aparelhos a reproduzirem ao mesmo tempo, o mesmo registro, ampliando, a ponto de encherem o espaço por completo. E na iminência de transbordar, um movimento inverso, delicado, fez com que o conteúdo do recipiente voltasse ao seu nível habitual. A enxurrada, assim como as pessoas [embarcam e desembarcam], chegou e se foi [levada por cada uma delas, no corpo, nas roupas, nos sapatos].

 

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