Coletivo C.I.M.

PROJETO: Comum-União

Comúm-União trata metaforicamente do distindo unido em um mesmo espaço pelo uso da força, como ocorreu durante os processos colonizadores do continente americano no séculos XV e XVI, quando, sob uma mesma bandeira, uniu-se a raça branca dominante, proveniente da Europa, a raça negra escravizada, proveniente da África e as culturas originárias que aqui se encontravam. Processo este que se repetiu durante o final do século XIX e todo século XX, com novas imigrações européias e, em menor proporção, asiáticas.

O distinto unido, simbolicamente representado nesta ação pelo uso de quatro elementos – fogo, água, terra e farinha – por quatro pessoas que, partindo simultaneamente de quatro direções opostas (quatro pontos cardeais) confluem em um mesmo ponto de encontro onde foi construído coletivamente um forno de barro. Assim, a farinha, associada ao ar pela sua leveza, se mistura pela força de amassar com a água e com o milho, simbolizando a terra. Esses três elementos distintos se unem em uma mesma massa que, graças ao fogo, resulta em um elemento comum:  o pão.

O pão, metáfora do distinto-unido, que sem a contribuição de todos não seria possível de se fazer, é re-distribuído entre os presentes, novamente repartido, e, paradoxalmente, pela mesma ação, novamente unido, não mais pelo distinto-unido, mas pelo comum unido. A comum-união.

Esta ação envolveu quatro pessoas que esqueceram o valor do diverso e, sendo diferentes uma das outras, se encontraram sem saber como construir coletivamente. Impondo ou delegando, gritando ou em silêncio, muitas vezes não sabiam como seguir caminhando juntas. Comum-União trata de quatro pessoas que a força do amassar, amassar as idéias, de reconhecer a arrogância e os erros, passaram por uma experiência que, para além do fator estético, as enriqueceu marcando o caminho por onde começar a construir solidariamente e cooperativamente, deixando de lado o individual para que o comum se una. Comum-União tratou das nossas diferenças e do modo como fomos aprendendo a resolvê-las no caminhar.

ESTRATÉGIA DE AÇÃO E LOCAL:
Ao entardecer, quando ainda há luz do dia, quatro pessoas partirão simultaneamente de pontos opostos e distantes para confluir em um mesmo ponto da cidade de Porto Alegre: a Praça Argentina.

Terra – Catedral Metropolitana: Santiago terá pendurado em seu pescoço uma grande quantidade de rosários de milho fritado ao forno. Durante a caminhada, irá desarmando os rosários, deixando cair cada grão pelo caminho. Simbolicamente, vai liberando o que pela força esteve unido pela igreja católica (“distinta união”) formando uma trilha, um caminho que inevitavelmente perde definitivamente o rastro que possibilite um futuro retorno ao estado inicial propiciado pela igreja Católica.

Ar – Paróquia Martin Luther – Rua Senhor dos Passos: Nicolás, vestido com um traje recheado com farinha de trigo, caminhará lentamente, perdendo o conteúdo e traçando uma linha branca de farinha de trigo.

Fogo – Túnel da Conceição: Flor caminhará com uma armação-saia com bases de garrafas de plástico costuradas, contendo velas apagadas. A medida que vai fazendo seu caminho, irá deixando no chão uma garrafa de plástico, na qual acenderá a vela que está dentro, criando uma trilha de velas acendidas.

Água – Lago da Redenção: Andrea realizará seu trajeto com uma panela cheia de água, salpicando seu conteúdo ao solo. Estará vestida com uma saia larga de cor branca, que ao molhar-se pela água derramada, irá deixando um trajeto de água.

C.I.M. (Coletivo de Intervenções Múltiplas) [Buenos Aires – Argentina]
Flor Firvida, Andrea Vegazzi, Nicolás Casalnuovo e Santiago Cao

Surgiu da necessidade de “dar corpo” a perguntas compartilhadas por quatro pessoas, que, após três anos de envolvimento com diversos coletivos e ações artísticas, se organizaram para  intervir no espaço público gerando questionamentos sobre as ações e a realidade do consenso social.

Sendo os integrantes de distintas áreas artísticas como dança, teatro e artes visuais, confluem em uma linguagem comum: o corpo como suporte das obras, e a temporalidade como fator determinante, manifestado em ações de caráter duracional.

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