Isabela Silveira

PROJETO: Isto é apenas uma mulher
Uma mulher, com o rosto coberto por um pano branco, sentada em um
banco de praça. O que pode surgir desta cena? Quais as possibilidades de interação são apresentadas por esta personagem? Quem é esta pessoa? Como os transeuntes lidam com esta estranha presença?

A pesquisa parte da idéia surgida no videodança MULHERES DE MAGRITTE, que trata de temáticas como feminino e identidade, junto a mulheres gaúchas em situação de violência. O norte imagético adotado é Renée Magritte, artista belga da primeira metade do século XX, em especial por sua tela OS AMANTES na qual retrata 2 pessoas com rostos cobertos por um pano branco. Questões surgem dessa imagem: com o rosto coberto, onde passa a residir o sentido da movimentação de um intérprete? Como se dá a empatia? Fragilizando a empatia público-intérprete (considerando que esta se dá essencialmente na relação entre expressões faciais dos envolvidos) que nova relação é gerada? Crê-se que fissurando tal relação, abre-se uma lacuna de significação, foco dessa intervenção, que faz parte de um processo de pesquisa mais amplo, composto também por Olga Lamas, integrante do Núcleo VAGAPARA.

ESTRATÉGIA DE AÇÃO:
A intervenção urbana Isto é apenas uma mulher apresenta logística de
realização extremamente simples. Selecionado o local de realização da ação,
juntamente com a curadoria do evento, é necessário apenas o apoio de uma
pessoa, que irá filmar a intervenção de longe e auxiliar em possíveis imprevistos
que uma ação de rua pode enfrentar.

LOCAL:
Parque da Redenção

Isabela Silveira [Salvador – BA]
Atriz e produtora cultural
Bacharel em Interpretação Teatral pela Escola de Teatro da UFBA é atriz,
dançarina e produtora cultural, já tendo trabalhado como assistente em diversas
produções de teatro e dança de Salvador. Atualmente é aluna de Mestrado em
Teatro no PPGAC (Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas) da UFBA,
na área de Dramaturgia. Foi contemplada com o Prêmio Interações Estéticas –
Residências Artísticas em Pontos de Cultura 2008, da FUNARTE. Indicada ao
Prêmio BRASKEM de Teatro, na Categoria Melhor Atriz do ano de 2006, pela
atuação no espetáculo ESTILHAÇO[S], seu espetáculo de formatura, sob
direção de Celso Jr. Como atriz, trabalhou com diversos diretores baianos como
Hebe Alves, Meran Vargens, João Lima, Vinício Oliveira Oliveira e Carol Vieira
em variadas produções teatrais profissionais. Integra o Núcleo VAGAPARA,
coletivo de artistas baianos que trabalham criativa e colaborativamente desde
2007. Atuou como assessora da Diretoria de Teatro da FUNCEB – Fundação
Cultural do Estado da Bahia de outubro de 2007 a março de 2009. Integrou o
Conselho Curador da Fundação Giramundo – Centro Internacional de Referência Educativo-Cultural e Científico, sediado em Salvador, de 2009 a 2010.

Núcleo VAGAPARA – lançando-se neste formato em 2007, o Núcleo Vagapara
teve em COOKIE (espetáculo contemplado pelos Prêmios Quarta que
Dança/2007 e Yanka Hudzka/2008 de Apoio à Montagem de Espetáculos de
Dança – ambos da FUNCEB), seu primeiro resultado cênico. Este Núcleo se
auto-afirma enquanto um coletivo de amigos e profissionais de diversas
linguagens artísticas que por afinidades ideológicas, políticas e filosóficas se
reuniram para discutir e colaborar de forma coletiva e criativa em suas
inquietações artísticas. Desde então o Núcleo Vagapara vem desenvolvendo
trabalhos que se aproximam de diferentes linguagens artísticas como a dança, o
teatro, a instalação e o audiovisual, nos seguintes trabalhos: Estudo para
Cabide, solo de Jorge Oliveira, vencedor do prêmio Quarta que Dança/2008 da
FUNCEB; a dança-instalação Troca Imediata de Saliva e Suor e a pesquisa solo
Estudos para Desaparecer, concebidas por Lucas Valentim; a videodança
Mulheres de Magritte, projeto vencedor do prêmio Interações Estéticas –
Residências Artísticas em Ponto de Cultura da FUNARTE/2009, direção de
Isabela Silveira; a intervenção urbana Isto é apenas uma mulher, concebido por
Márcio Nonato e Isabela Silveira. Atualmente o Núcleo está voltado para o
projeto Fragmentos de Um Só vencedor do prêmio Myrian Muniz/2009 de
incentivo à montagem de teatro da FUNARTE, com estréia prevista para o
primeiro semestre de 2010; e para a criação da videodança Paixão Nacional,
projeto recém selecionado pelo Rumos Dança Itaú Cultural 2009/2010.

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SOBRE A EXPERIÊNCIA_SEU:

Isto é apenas uma mulher ou sobre experiências de não-interação na capital gaúcha

Ao decidir inscrever Isto é apenas uma mulher no SEU eu estava motivada não apenas pela vontade de colocar meu trabalho novamente na rua mas, sobretudo, porque foi em Porto Alegre que as primeiras idéias para a realização da intervenção surgiram. No início de 2009, em residência artística no Ponto de Cultura Maria Mulher, desenvolvi a vídeodança Mulheres de Magritte, que aborda questões como feminino, identidade e relação a partir de vivências de mulheres gaúchas e tendo a dança contemporânea como suporte artístico. Levar a persona da mulher de rosto coberto por um pano branco para as ruas de POA seria então como completar o círculo que começara a tracejar no trabalho anterior. Os dias muuuuuuuuuuuito frios que fizeram durante o SEU, assim como as chuvas, atrasaram um pouco a primeira saída da intervenção, de maneira que tive tempo de ouvir relatos dos artistas participantes sobre suas ações nas ruas de Porto Alegre, marcadas por ações e reações tão diversas quanto instigantes. Então, quando agendamos minha intervenção para a Redenção num início de tarde, previ um tipo de comportamento dos observadores que se assemelhasse às já relatadas. No entanto, eu, que havia imaginado tantas possíveis reações dos observadores gaúchos, não poderia prever o que de fato aconteceu: um banho de frieza e discreta rejeição àquela inusitada presença de uma mulher com sua identidade anulada. As pessoas simplesmente NÃO cederam à curiosidade e ao contato proposto pelo trabalho. Situação que talvez tenha me causado mais surpresa do que as incessantes perguntas, invasão de meu espaço e mesmo agressões que eu já tinha vivenciado ao realizar esse trabalho em outras cidades.

(…)

Se eu pensar que colocar-me em desequilíbrio e remexer meus refúgios de comodidade artística é, em meus trabalhos autorais, um foco real de interesse, acho que alcancei o que queria. Afinal de contas, eu, moça-baiana-vinda-de-terras-de-calor-e-de-interação, voltei para casa com uma real vivência de invisibilidade, potente e valiosa como tudo que coloca nossas certezas em dúvida. Porque, se fosse para manter o controle, eu jamais teria escolhido a rua como lugar poético para uma intervenção que começa numa afirmação e termina, a cada vez, em lugar tão quanto desafiador quanto imprevisível.

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