Leopoldo Kunrath

PROJETO: DesAparecido

O Projeto DesAparecido utiliza conceitos da física quântica como inspiração para representar um universo maravilhoso e aterrador, abusando de sarcasmo e de uma ironia corrosiva para corromper significados e subverter significantes.

ESTRATÉGIA DE AÇÃO:

Montar barraca da Poesia DesAparecidda Ilustrada na esquina da rua dos Andradas com a rua Gen. Camara, Praça da Alfândega e distribuir gratuitamente placas de diversos tipos e tamanhos variados, contendo Poesia DesAparecidda Ilustrada, com ditados populares como “Quem não mata o tempo não é assassino, é suicida!” e “Pinta a tua Aldeia e serás Universal.”; e com desenhos ilustrativos manufaturados pelo artista dentro do conceito “work in progress”.

Leopold Kunrath [Porto Alegre – RS]

Essencialmente um artista multimídia que trabalha da ilustração a vídeo arte, do graffiti a street art, incluindo objetos, pinturas, desenhos, fotos manipuladas, performances e intervenções urbanas. A rua é o lugar da comunicação urbana, o meio usado pelo artista para a popularização destas teorias, e, além disso, a contestação sobre o domínio do meio urbano esta continuamente sendo exercida no Projeto “DesAparecido”

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SOBRE A EXPERIÊNCIA_SEU:

Poesia Popular DesAparecida

Há muito tempo em Porto Alegre existiam pichações com frases estranhas e poéticas dotadas de uma sabedoria “urbana”  e que machucavam minha imaginação com imagens tenebrosas. Em algum momento, no começo dos anos 80, eu observava pichações nas principais avenidas da zona norte: Benjamin Constant, São João, Volta do Guerino, Assis Brasil, IAPI.

Uma das frases mais impactantes que vi pichada pela região do IAPI foi: “Dê AIDS para o seu filho! Antes que algum traficante o faça!”.

Na época, a AIDS assustava muito, mas, se fosse hoje, provavelmente essa palavra AIDS seria trocada pela palavra CRACK.

É uma ironia e um grande deboche das autoridades, que perde toda a sua carga diante da indiferença completa por parte das autoridades, e aí sobra apenas uma frase engraçadinha.

Aquilo que seria uma expressão de desespero, um grito de socorro, agora fica disperso na multidão, na maldita multidão fria como um cadáver nada sorridente, agora ecoa perdido na lembrança de alguns poucos observadores.

O tempo, a época muda os valores? Disso não tenho dúvida, muda realmente!

No entanto, eu não sou como o tempo, eu não mudo meus valores, na verdade, eles são as minhas convicções. No século passado a sabedoria popular produziu uma pérola de adágio, o seguinte: “Devo! Não nego! Pago quando puder!”.

Notei que os valores mudaram quando encontrei a resposta, que é: “Devo! Não pago! Nego enquanto puder!”.

Mais um reflexo dos tempos, uma decepção para mim. Entretanto, devemos considerar que uma de minhas convicções é de que o ser humano é um ladrão por natureza, ou seja, basta constituir uma matéria orgânica que ocupe determinado espaço, isso é uma subtração de espaço. Além disso, o dito “ser humano” está aí para consumir, explorar, transformar, manipular, ameaçar, enquanto existe ameaça à própria existência.

Então, quando realizei a ação na Rua dos Andradas esquina com a Rua General Câmara e, ali no coração da cidade por onde passaram milhares de pessoas ao longo dos anos, onde existem três palmeiras, três postes de bandeira e uma pedra com aproximadamente 1,20 cm de altura, é bem provável que daqui a 50 anos o local permanecerá do mesmo modo que esta hoje.

Neste local emblemático, nesse local de passagem e testemunha ocular dos tempos, instalei placas com frases em um nível médio de provocação. Alguns transeuntes pararam para observar, outros ainda tiraram fotos, mas de centenas de pessoas, apenas uma senhora perguntou do que se tratava, e eu respondi:

_é Poesia Popular DesAparecida!

_Ah! Então, está bem!, respondeu a senhora conformada.

Percebi que seria necessário um nível mais alto de provocação, dos meus atos cirúrgicos, para cutucar a multidão, estava eu iludido quando saquei um spray para pintar a pedra e pensei: agora alguém vai falar alguma coisa!

Bem, o diálogo ficou entre a pedra e o tempo, talvez daqui a alguns anos alguém pergunte o que significa isso?

Quando as pessoas não entendem uma explicação complexa, elas preferem ficar sem explicação alguma e propor a própria argumentação, e assim conseguem inclusive transformar em “verdade” as suas fantasias. A proposta do meu trabalho é fazer as pessoas encontrarem algo para exercitar a imaginação e aceitar isso como algo naturalmente real e concreto, para isso, eu faço uso da verossimilhança na tentativa de realçar novos conceitos.

 

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