Fora do Eixo – Brasília


Colaboração SEU

O SEU –  Semana Experimental Urbana é uma plataforma multidisciplinar em artes, organizada na forma de encontro, para interferir, através de ações e gestos, no acontecer dos impulsos do espaço público, integrando um circuito que vem se fortalecendo na América Latina desde os anos 90. Especificamente no tocante ao Brasil, o movimento coletivo é amplamente discutido e reflexionado nos âmbitos institucionais e acadêmicos e, inclusive, mapeado pelo olhar histórico dentro de uma genealogia sobre o acontecimento de uma prática coletiva. Cidades como Salvador, São Paulo, Vitória, Fortaleza, Brasília, Recife e agora Porto Alegre fazem parte de uma rede de encontros experimentais em artes.

A realização do SEU, proposta de VIVÊNCIA, RUA E RELAÇÃO, inspirada nos encontros de intervenção urbana no Brasil, envolve ações que passam pela captação de recursos, divulgação, criação, produção e circulação por agentes, artistas, grupos, ativistas, produtores, etc, em busca de mecanismos democráticos e inclusivos de trabalho, em contato direto com a população, onde se misturam os limites entre público e arte. Como proposta coletiva de encontro e intercâmbio, permite que outras formas de produção sejam viabilizadas, fomentando a importância do trabalho coletivo e compartilhando percepções e experiências. Enquanto artistas em busca de abordagens sensíveis sobre a cidade, pretendemos questionar os meios e modos de fazer e pensar arte, utilizando a rua como espaço de relação, que privilegie a multidisciplinariedade e a potencialidade do corpo coletivo, tanto na produção quanto no
compartilhamento e troca com o outro. O SEU pretende ser uma proposta de experiência colaborativa e de construção de redes permeáveis e descentralizadas para a constituição de espaços de interlocução, contaminação e auto-gestionamento. Em tempos onde o mundo se torna informação, e os territórios, nas cartografias atuais, se hibridizam, procuramos nosso lugar no corpo e na potência coletiva. Estamos comprometidos em perceber o movimento de tudo que nos envolve e, num mundo de sistema de sistemas, em que cada sistema particular condiciona os demais e é condicionado por eles, desejamos impulsionar este corpo coletivo, político e social e sua memória subjetiva e poética.

Esta proposta de colaboração integrada a SEMANA FORA DO EIXO em Brasília, busca ampliar o debate acerca do que vem a ser o caminho do trabalho colaborativo, compartilhando a experiência do encontro realizado em 2010 na cidade de Porto Alegre. A proposta colaboração SEU envolve a produção de um espaço comum para o diálogo, troca e debate crítico sobre a dinâmica do trabalho colaborativo, tangenciando questões como corpo, espaço, ação e sustentabilidade, e explorando as inspirações e condições que levam a construção de alternativas experimentais e coletivas no Brasil. Assim, pretendemos propor um evento SEU na cidade de Brasília, convidando participantes e população ao debate sobre os modos e meios de fazer colaborativamente,  compartilhar imagens e documentos da Semana Experimental Urbana, e distribuir gratuitamente as publicações DOCUMENTO SEU e CADERNO DE TEXTOS.

http://www.foradoeixo.org/

SEU
Manuela Eichner:
Olá. Eu sou Manuela. Junto com Camila e Rodrigo, a gente está fazendo e criou o SEU, que seria SEU também no sentido de trazer e ampliar a visão do projeto e trazer outras participações, pra aumentar também ou trocar os produtores…  Tem uma ideia, assim, de ser, de querer passar uma ideia de seu. O evento é a gente que faz, mas as pessoas que participam e quem quiser se envolver também. É Semana Experimental Urbana.

A gente se conheceu e começou a realizar trabalhos juntos em Porto Alegre, que era um lugar comum. Aí, pelos caminhos de cada um, cada um tem uma vida profissional e um trabalho “x”, mas a gente foi se juntando pra realizar projetos desde espaços alternativos aos do sistema mais vigente, vamos dizer, mais visível de arte. A gente começou a fazer projetos juntos já há seis anos, cinco ou seis anos. O SEU surgiu há uns dois anos, quando a gente já participava de outros eventos, como o SPA, como o EIA – o EIA foi o primeiro que a gente conheceu, em 2005. A gente sempre quis fazer algum projeto e se perguntava se precisava de dinheiro ou não, como as pessoas vão chegar até Porto Alegre? Um assunto que a gente trocou também com muitas pessoas que fazem evento e pensam evento. A gente começou a gostar, ou de alguma forma pensar que seria importante também entender um pouco mais de quais seriam as redes locais pra contribuir pro projeto. A gente conseguiu, ano passado, um financiamento local. E a gente fez um convite, uma convocatória aberta, pra realizar o SEU. Foi muito interessante porque a gente teve projetos de mais ou menos duzentas pessoas que a gente nem conhecia, pessoas da América Latina. Pela rede de internet, a coisa se ampliou de um jeito que nem a gente imaginava. Eu vou passar pra eles falarem um pouco da Semana.

Camila Mello: Bom, a primeira coisa que eu queria falar é que o SEU é uma proposta de encontro e é resultado de um processo de contaminação dessas experiências anteriores que a gente vivenciou. Então, ele vem quase que como um desencadeamento de processos de trabalho e convergiu com o desejo de fazer, de trazer esse tipo de experiência ou de abrir esse tipo de espaço em Porto Alegre. É uma cidade que a gente conhece bem, a gente teve várias experiências lá e, desde o primeiro encontro, que foi no EIA, a gente já voltou pra Porto Alegre com essa abrangência. Pela nossa própria transformação depois dessas experiências pela América Latina, queríamos também trazer essa possibilidade de transformação pro local.

Outra coisa que eu acho importante é que o SEU surgiu, como projeto, com toda essa parte que nós três organizamos, mas ele, na verdade, só aconteceu naquela semana onde as pessoas todas se encontraram em Porto Alegre pra realizar juntos aquele momento, aquele tempo, e vivenciar essa experiência juntos. Então, ele é uma proposta de encontro, ele não é um evento. Ele é uma proposta de vivência e ele é uma proposta de relação com o espaço público, com as pessoas da cidade e entre nós.

Outra coisa que eu acho importante pra pensar dentro dessa discussão, dentro da proposta dessa conversa de hoje, é sobre rede e/ou evento. A experiência do SEU nos dá a sensação de que já existe uma rede, que se organiza, compartilha e estabelece uma troca de intensidades, troca de experiências, e que o SEU é mais um desencadeamento dessa rede e de certa forma um projeto, uma experiência aberta no sentido de que ela também acontece como se fosse… Ela também se pulveriza em outros locais através de outras pessoas, de outros agentes. Ela também é parte desse processo de contaminação pelo qual a gente passou. Então, do SEU a gente já participou de experiências no Rio, numa discussão de Corpo e Cidade, a Rede Aparelho já, de certa forma, transformou o SEU numa outra coisa, numa ação deles… Eu gosto de pensar na possibilidade desse tipo de proposta e nas pessoas que estão dentro desse espaço por uma rede de trabalho e de vivência.

Rodrigo Lourenço: Eu sou Rodrigo. Acho que do SEU a gente já falou. É um encontro, não é um evento, onde a premissa é essa: pessoas que estão pensando o espaço da cidade. Mas eu acho que mais interessante é perceber que a gente não está fazendo um evento, ele está sendo organizado a partir de necessidades vistas pelo local.

Posso falar também da Desvenda, que eu venho aqui por causa da Desvenda. É um projeto que eu tenho lá que nenhum deles participa. Aqui já participa Flor… Tem torno de cento e cinquenta artistas que mandam trabalho pra gente e iniciou com isso também. Eu havia notado um espaço numa rua muito interessante em Porto Alegre, que era uma rua histórica – última rua do século XIX –, uma rua muito bonitinha, muito interessante! Daí aquela coisa óbvia, “vou fazer uma sala de exposições, preciso fazer uma exposição aqui!”, só que não tem a menor necessidade disso! Não há necessidade nenhuma em Porto Alegre de espaço de exposição. Há espaços magníficos. A gente fica pensando “só se pensa em fazer coisa”… A gente tem alguma necessidade, alguma carência, então tem que se pesquisar: qual é a carência que a gente tem aqui? O quê que estou tentando responder com a resposta de “vou fazer uma coisa”, “vou fazer um evento”, “vou abrir uma sala de exposições alternativa”, “vou fazer uma banca de revista”? Tem uma necessidade, você sente que há alguma coisa ali. Isso é uma questão local, você tem que pesquisar localmente. Localmente que se vê que o problema não é bem “espaço de exposição”, não são locais para se fazer as coisas, e sim a forma, como fazer para difundir um trabalho fugindo da burocracia convencional. (Recebe um aviso da Flávia de que tem dois minutos para concluir)

Não precisa de espaço de exposição! Sem burocracia, ok? E ainda com a possibilidade de comercializar de alguma forma a sua produção, viabilizar economicamente essa produção, sem a necessidade do poder… Quem tem um trabalho de arte convencional, pintura, essas coisas todas que precisam de um espaço fechado, tem o problema de ter o trabalho pronto, preparado, e a exposição sendo desencadeada de um pensamento que está há muito tempo… A ideia é fazer uma coisa que você possa mostrar a pesquisa, o andamento da pesquisa. Fazer teste, arriscar o seu trabalho, botar ele pra ver ainda no meio do caminho. “Ah! Vamos ver se está pronto!” Essa é a necessidade que foi vista. Então, formou-se outro formato de exposição, que eu dei o nome de feira, pra também desenergizar aquela coisa “a exposição de arte”, “o evento de arte”, que tem uma carga que, pra mim, atrapalha quase sempre.

Manuela Eichner: Só pra voltar pro SEU, só pra citar mais, pra explicar mais o que está acontecendo com a gente, sobre evento e rede. O SEU também foi gerado… Conseguimos patrocínio e, metade das pessoas, os selecionados, patrocinamos. E a gente abriu, porque muitas pessoas estavam querendo se envolver, a gente abriu pra mais da metade estarem também durante o evento sem dinheiro, sem financiamento. Todos foram. Acho que é um dado importante também.

E como rede, acho que poderia falar também que, nós três, a gente não mora no mesmo espaço. A gente não mora no mesmo lugar há dois anos/três anos e a gente continua trabalhando junto e se encontrando através dos eventos há, pelo menos, três anos.

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Uma resposta para “Fora do Eixo – Brasília

  1. E eu sou a daggi e só hoje descobri tanto SEU a ser compartilhado… busca de outras formas de encontrar mundos, distantes e perdidos na obra endurecida das cidades.

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